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12 de dezembro de 2014

Pausa pra balanço

Acho fascinante chegar ao final do ano e perceber a relação entre a expectativa do ano anterior e a realidade do período corrente, comparar o que previa e esperava com aquilo que aconteceu ou está em curso. É claro que o saldo da comparação nem sempre é feliz, agradável aos olhos e às memórias. Mas acho que ainda assim é interessante fazer esse exercício de balanço geral, avaliação, ajuste de contas. Sobretudo no meu caso, eu que vivo de planos e metas.

Em fins de outubro completei três anos de corrida. Em dezembro faz três anos que consegui sair do zero absoluto e pude comemorar meus primeiros oito minutos consecutivos de trote. No ano seguinte minha meta foi correr 5 km, em 2013 eu quis me aventurar nas provas de 10, planejei fechar o ano com uma São Silvestre caseira e fiz tudo isso, com altos e baixos, sucessos e insucessos.

No fim de 2013 me comprometi a participar de um triathlon curtinho organizado pelo SESC, comprei uma bicicleta para voltar a pedalar, treinei pesado, acordei cedo pra treinar no escuro. Fui lá e fiz, festeei com as amigas, quase ignorando o fato de que fui a pior competidora na fase do ciclismo. Humpf (Não que eu não soubesse que o resultado seria mais ou menos esse, certo? Vamos ser realistas).

Pouco depois, meio injuriada e meio aflita para estabelecer um projeto novo que me animasse, me inscrevi na Golden Four de SP. Meses de treino adiante, segui praticamente à risca a planilha que me daria mais resistência e mais força. Fiz a prova à beira do colapso, tamanho o medo de não conseguir, de passar mal, de morrer, apavorada com as notícias de corredores caindo mortos em provas. A bem da verdade fiz os últimos treinos, em junho/julho, já sentindo os desagradáveis efeitos físicos e psicológicos de alguns anos de estresse e de problemas varridos para baixo do tapete, somados à exigência física. O que aconteceu? Completei minha primeira meia maratona, muito emocionada e muito feliz, e dias depois meu copo transbordou.

Crises de ansiedade, crises de pânico, a certeza de que eu estava à beira de um ataque do coração ou de um derrame que iam me derrubar instantaneamente. Os sentidos em alerta total o tempo todo, a cabeça acelerada, o coração disparado, o suor, o medo. A atenção redobrada, corrida ao hospital numa noite, pouco antes do fim do expediente, uma série longa de consultas e exames, só para ao final ouvir de mais de um especialista: você não tem nada. Nada físico. Um não-diagnóstico, quase, não fosse o fato de que o "nada" era um transtorno de ansiedade, que chegou para coroar também um diagnóstico de transtorno bipolar.

Eu, que sempre fui tão prudente com meus treinos, tão cuidadosa, procurando cada vez mais entoar o mantra "não exagera", não cair na armadilha do excesso de exigência, da neura com peso e com desempenho (isso ainda está em processo). Isso não estava nos planos, não pensei nisso no final de 2013, quando estabelecia minhas metas para o ano (a princípio eu queria apenas fazer as provinhas da cidade e correr a Volta da Pampulha).

Fui obrigada a desacelerar na marra, me habituando aos remédios que me dopavam, lidando com sono e com uma crise depressiva que me prostraram por dias. Não tive simplesmente a semaninha regenerativa antes de partir pra próxima, tive alguns meses de "eu quero que se dane tudo, preciso sair do buraco" alternado com "eu quero que se dane tudo, não quero sair do buraco".

Não quero que ninguém entenda isso que estou contando como alguma história comovente de superação. É uma trajetória de altos, baixos e muita coisa inesperada, como é a de quase todo mundo. Em algum momento a coisa ia estourar, e estourou, busquei ajuda, posso contar com gente que me apoia e com recursos para me tratar, estou feliz com isso. E efetivamente uma hora consegui levantar e abrir a janela. Readaptei horários e rotina e segui.

Depois disso fiz mais algumas provinhas (a Volta USP daqui, minha prova do coração, a Corrida Cartoon com meu filho, entrei na pipoca das 10 Milhas e decidi que mesmo levando minha água nunca mais faço prova superior a 10k sem estar inscrita, corri em Itatiba e baixei meu tempo dos 10k) e me inscrevi na segunda meia do ano: a primeira prova de 21k da cidade. Não precisaria fazer treinos tão volumosos, a base estava boa (a prova é que fiz tranquila a Volta USP, fiz as 10 milhas no percurso medonho de subidas da cidade). Treinei sem muito desespero (dei migué na musculação umas vezes, na verdade), fui lá sem expectativa de tempo (na verdade olhei a altimetria, pensei na data - 30 de novembro, em Bauru - e na expectativa de calor e cravei "iiih amigos, não chego antes de 2:30h de prova"), corri a prova rindo, cantando junto com a música dos fones, trocava umas palavras de incentivo com a Nôra, que estreava na distância e passava do lado de lá às vezes, e cheguei com seis minutos a menos que na G4. Além das expectativas, muito além.

Já tenho planos pra 2015: os planos são tentar não ter muitos planos. Os planos incluem me respeitar, andar com cautela e correr com alegria. Os planos preveem que eu continue aprendendo a desfrutar do que eu tenho de bom, sobretudo os momentos passados com as pessoas incríveis que estão à minha volta e a lidar bem com o que não é tão bom assim, com os imprevistos e com as dificuldades. Isso é o mais necessário, o resto é consequência. O resto é lucro.


5 de agosto de 2014

Meus 21 km

Seis meses atrás, numa dessas "doidas", fiz minha inscrição na Golden 4 de São Paulo. Uma meia maratona. O médico, corredor também, dissera semanas antes "nãão, não faz meia tipo Soloman  não, faz uma prova mesmo, se inscreve" (ele mesmo queria fazer todas as Golden 4 no ano). Então eu me inscrevi, meio sem noção.

Os treinos seguiram, as planilhas começaram a ficar mais volumosas, mais puxadas, a musculação virou item obrigatório. Nas férias curtinhas não teve choro nem vela, teve treino. Em viagem, no feriado de junho: treino. Enfim, vocês entenderam. Julho foi um mês penoso, eu estava exausta, física e mentalmente.

Estratégia alimentar montada com a Bruna, comida toda separada em potinhos de kinder ovo marcados com a quilometragem correspondente e ordenados dentro da bolsinha, instruções finais dadas pela MC, roupa separada, cabelo pintado de azul conforme prometido, passei a véspera descansando no hotel e no dia da prova cheguei ao Jockey ainda no escuro, nervosíssima. Não encontrei ninguém de Bauru mas achei a tenda onde estavam as meninas da Pinkcheeks e a Thaís Chanoft, também estreante. Minutos depois chegou a Thais da Trupe pra ver a largada e fazer depois seu treino do dia, me bateu aquela indecisão ir ao banheiro/não ir ao banheiro, pronto, hora de largar.

Tenso, tenso, muito tenso. Muita gente, 5 mil pessoas, eu lembrava da última corrida que fiz em São Paulo e do aperto e do ziguezague chato e ficava mais nervosa pensando na embolada de gente. Coloquei os fones, liguei a música e esperei começar. Gritos, "wooohooooos", largou. Desliguei os fones. Devagar a massa de gente começou a se movimentar, uma andadinha, um trotinho, oito minutos até o pórtico. Liga relógio, começou, começou. "Vai tranquila, na sua, com calma, deixa pra colocar ritmo mais pra frente", disse a MC. Não me afobei e me concentrei nos barulhos em volta. Você já imaginou o que é ouvir o som de milhares de pares de pés no asfalto, cadenciados? É um negócio impressionante. Conversas aqui e ali mas aquele som vai ficar registrado na minha memória como o som da prova.

Havia mesmo muita gente mas o "trânsito" fluía, as pessoas estavam ali pra correr e não havia caminhada, não havia paredão como na outra prova, mais "recreativa". Segui. Entra no túnel, a massa compacta de pessoas, muitos gritos, sai do túnel numa subida curtinha mas íngreme. Lá pelo km 4 o Rodolfo, da Iron Coach, me alcançou (já havíamos feito um treino juntos semanas antes, uma trilha, e já havíamos conversado sobre a prova), combinamos correr juntos dali pra frente. Deu pra correr bem, num ritmo bom e dentro do que esperávamos, por 8 km. Viramos o km 10 com 1h03. No 12 precisei reduzir o passo pra comer, senão ia engasgar (o carbogel tem a vantagem de não precisar mastigar, mas escolhi não usar e tinha bananinhas, damascos, amêndoas pra comer a cada 6 km, tudo porcionado e separado), disse pra ele continuar e eu o alcançaria. Mas daí não consegui. Briguei com as pernas do km 14 em diante e percebi que era a situação de muita gente em volta de mim, a impressão que dava era de que as pessoas estavam mesmo cansadas e fazendo mais força. Os pontos de hidratação estavam já com aquele aspecto "terra de ninguém", muita bagunça (mas não, não faltou água, pelo menos até a hora em que eu passei). Diminuí o ritmo, 15, 16, pernas pesadas, 17, daqui a pouco tem mais hidratação e mais comida.

No caminho eu evitava ficar pensando em quanto faltava, quem eu passava ou quem me passava (aliás, a impressão que tive foi de que a preocupação das pessoas ali não era "ultrapassar muita gente", era apenas...correr) e a sensação foi de que passou tudo rápido. O que eu pensava era em quão fantástico era correr com aquela cidade em volta de mim, passando por lugares onde já havia estado. No meio da metrópole 5 mil pessoas subindo e descendo ruas, varando avenidas, tanta gente junta por aquelas duas ou três horas, tanta gente e ao mesmo tempo tão pouca gente ali no meio de tudo (é a mesma sensação de assombro que eu tive nas duas edições do Lollapalooza do mesmo Jockey. Me deixa, eu sou da roça e me impressiono fácil com essas coisas de gigantismo e movimento constante da cidade grande).

Passou o 18, chegou o 19, pessoas voltando já com medalha no pescoço gritavam "falta pouco, falta pouco!", ciclistas no caminho também. Dor de barriga. "Ai droga, mas agora? Tem mais 2 km até encontrar um banheiro, tomara que não seja nada sério e passe". A placa avisando que faltava só 1. O bolo na garganta. "Faltam 500 metros". Segura o choro, segura também nas placas a cada 100 metros dentro do Jockey. O som das pessoas, as fotos, o pórtico de chegada, a chegada, vou conseguir, cheguei. Eu consegui. Eu consegui. Cansaço, dor, o medo imenso de passar mal, de não chegar, as histórias de gente que morreu durante ou logo depois da prova, o machucado que ficou de lembrança da prova/treino da semana anterior, as bolhas, sumiu tudo. Eu consegui. Era possível e aconteceu. Há menos de três anos eu sofria pra trotar na esteira a 8 km/h por 5 minutos e hoje completei minha primeira meia maratona.

Sabe que ainda não me caiu a ficha direito? É estranho, porque a gente segue as pessoas em instagram e em rede social e elas estão correndo maratonas e ultramaratonas e fazendo provas difíceis de triathlon e por um instante a impressão é de que correr aqueles 21km é bobagem, é café pequeno, "todo mundo corre". Não, todo mundo corre não. Não é espantoso mas também não é essa carne de vaca toda. É algo a se celebrar, como é de se celebrar driblar a rotina diária, levantar do sofá e ir correr 5, 10 km de manhã cedo ou depois do expediente. Decidir fazer e levar a cabo a "tarefa", seja qual for ela, é o que se deve comemorar sempre. Passei o domingo emocionada à beça, orgulhosa e feliz, muito grata a todo mundo que se envolveu com esse meu projeto: minha família e meus amigos, que me ajudaram de tantas formas e me aturaram completamente descompensada no final do ciclo de treinos, a Bruna e a Maria que me deram suporte que foi muito além do nutricional e do esportivo, os parceiros de corrida.

Não sei se vou um dia correr uma maratona. Não tenho pressa alguma (vou ser sincera, não tenho vontade e tenho dúvidas quanto à questão prática de encaixar os treinos no dia-a-dia e quanto à minha capacidade de encarar a coisa - se eu quase enlouqueci pra fazer a meia, imagina só). Não tenho planos pra fazer muitas provas mais neste ano, só a Volta USP e a meia que anunciam para o final de ano aqui em Bauru.

Mas agora vai ser diferente, desde domingo, depois daquelas 2h18, tudo é diferente: agora eu sei que posso.

28 de maio de 2014

MariaTonista! :)

Tô de volta também, dessa vez para contar a experiência da maratona de Porto Alegre!

Passando por um bom período de treinos, onde nos últimos meses priorizamos corrida e musculação e diminuímos a natação e tiramos a bike, chegou a hora de encarar os 42,195km. A ideia é que eu não queria fazer um Iron Man sem nunca ter corrido uma maratona, além do mais , desde que comecei a treinar em 2011 estabelecia que teria um aumento gradual e passaria por todas experiências que pudesse até chegar a minha meta, com isso fiz 2 provas de short-triatlo, 1 olímpico, 2 meio-iron, 1 meia-maratona e 1 meia-maratona noturna de montanha, além de algumas provas de 10km.

Na sexta feira fui para Porto Alegre logo pela manhã, chegando lá retirei meu kit, check-in no hotel, almoço, um descanso e fui para meu último treino antes da prova. Como os parques eram próximos ao meu hotel, fui a pé aproveitando para conhecer um pouco da cidade.

Esse último treino fiz no Parque Farroupilha (também conhecido como Parque da Redenção), foram 7km, divididos entre aquecimento, algumas acelerações e 5km intervalados. Depois do treino fiquei ainda passeando um pouco pelo parque e observando a cidade.

(Espelho d'agua no parque Farroupilha)

(friozinho no Parcão)
No sábado de manhã a cidade já começou a receber mais atletas 
e eu logo cedo sai para conhecer outros lugares que queria, como por exemplo a rua que ficou conhecida como a "mais bonita do mundo" e também o Parque dos Moinhos (conhecido como Parcão), a manhã estava com muita neblina e o sol demorou a aparecer...até o meio-dia fez muito frio!!!]


(rua Gonçalo de Carvalho, a rua mais bonita)

Quando estava voltando pro hotel a Jacke entrou em contato comigo que estava chegando em PoA, eu a conheci pelo Instagram e combinamos de nos encontrar lá na prova. Eu fui até o hotel dela e juntas fomos para o local do kit, antes passando pelo shopping e encontrando a Rosângela, também amiga de instagram. Retiramos o kit da Jacke e lá encontrei meu amigo Soloman, o Bigode...que voltou conosco para almoçar.

(Rô, Jacke e eu - roubei essa foto da Jacke)

Nesse dia também chegou o Zé Mario que treina na mesma equipe que eu e combinamos de jantar juntos, eu , ele e o Bigode...logo cada um foi para seu hotel, pois no outro dia o transporte da organização passaria muito cedo para buscar os atletas, as 5:30 da manhã, logo teríamos que ter, ou ao menos tentar ter, uma boa noite de sono e ainda ter tempo para deixar tudo preparado:roupas, tênis, suplementos e outras coisas que usaríamos na prova. Como já fiz algumas provinhas mais longas, aprendi que tudo deve ser testado antes, a roupa, o tênis e também o que será ingerido, para evitar qualquer desconforto estomacal ( e intestinal ...rs) e evitar bolhas ou machucados no corpo. Usei um macaquinho de triatlo da ASICS que foi o que mais usei em treinos e gosto dele para correr...e um Mizuno Pro Runner que usei nos meus treinos longos. Não tive nenhum tipo de problema com o tênis, nem com a roupa!

Dormi bem, acordei bem tomei café (nada diferente do normal) e logo fui para o ônibus de atletas, chegamos no local da prova e ainda estava muito escuro, me encontrei lá com as demais meninas do grupo e ficamos ali aguardando a hora da largada, que seria as 6:45 para o feminino.

(a mulherada reunida)
(segundos antes da largada)

Bem, chegou a grande hora...largada foi dada e ...FUI!!!
Na noite anterior o Walter me ligou e disse "Maria, respeite a distância de uma maratona, saia num ritmo leve e vá impondo o seu ritmo" - foi o que fiz, sai com calma, aquecendo o corpo e devagar encaixando um ritmo que praticamente consegui manter durante toda a prova, a queda foi muito pegue na segunda metade da prova.
Fui usando a estratégia alimentar que a minha nutricionista Bruna me ensinou, me senti bem, sem nenhum desconforto, sem dores, sem caimbras!

No km 17 me encontrei com a Tereza Lacerda, maratonista de Bauru e juntas fomos até o km 40. Fomos conversando, trocando experiências, a Tereza já correu muitas maratonas, inclusive com premiação na categoria...e estar ao lado dela é sempre um orgulho para mim. O Amílton (marido da Tereza), o Zé Mario e o Bigode, passaram por nós durante a prova e trocamos mensagens de apoio uns aos outros. Também com várias outras pessoas que íamos cruzando pelo caminho, uma prova dessa distância, se você não esta com a intenção de fazer recorde de tempo ou premiação, é muito legal ir conhecendo as pessoas, distrai e você sempre faz um novo amigo.

(Tereza, eu e os demais corredores)


Até o km 27 eu ouvia muitas pessoas conversando e brincando, depois disso creio que seja quando começa a bater o cansaço maior, foi ficando um silêncio e ouvia somente os passos no asfalto...eu procurei não deixar cair muito meu ritmo, mas também não forcei mais...afinal ainda tinha muito chão pela frente e com certeza o corpo iria sentir essa quilometragem alta. Quando chegamos no 34...eu disse a Tereza que não precisava me esperar, que ela poderia aumentar  o ritmo se desejasse pois eu não iria forçar mais...ela foi ao meu lado até o 40...me incentivando incrivelmente com palavras extremamente motivadoras...ela foi demais , me ajudou MUITO!!! No 40 ela avançou um pouco mais, ficando uns 500 metros a minha frente...desse modo mantive meu ritmo e quando avistei a chegada, cerca de 500 metros antes, resolvi apertar um pouquinho o ritmo também! Concluindo assim minha primeira maratona com o tempo líquido de 4h 23min52seg.




(chegueeeeeeei)

Logo que cheguei, senti o corpo bem pesado, e fui em direção ao Jockey (que é onde foi a largada), lá me encontrei com a Rita, que já havia morado em Bauru e fui professora do Arthur, filhinho dela...hoje eles moram em PoA e eles foram me buscar e almoçamos juntos e depois me levaram ao aeroporto.

(eu, Arthur, Henrique e Rita, família muito querida que tive o prazer de reencontrar)
Depois disso tudo, já dentro do avião para voltar e crente que em algumas horas estaria em casa, as comissárias retiraram do avião todos que teriam conexão para Bauru, pois estava um temporal de granizo em SP e o avião precisaria de menor peso para poder pousar em Congonhas (que depois vim a saber ficou fechado); deste modo eu e mais 10 pessoas ficamos hospedados em um hotel, com direito a transporte e jantar, tudo por conta da GOL é claro, e somente na segunda feira voltamos a nossa terrinha Bauru!!!

Quero deixar meu agradecimento a todas as pessoas que me ajudaram nesse caminho até me tornar uma maratonista...ao meu treinador e a todos meus amigos da Iron Coach, aos meus alunos e alunas, a todos os recadinhos e mensagens que recebi, aos novos amigos que fiz, aos amigos que revi, ao meu osteopata Renato, minha nutricionista Bruna Carneiro, e claro ao meu papito!!!

GENTE, VALEU DEMAIS!!! CORRAM ATRÁS DO SONHOS DE VOCÊ, POIS VALE MUITO A PENA!!!

25 de maio de 2014

santo antônio também abençoa os corredores

não escrevi sobre a última corrida que participei, o circuito athenas. depois escrevo.

estou voltando do meu longo da semana e quero fazer observações sobre o observado.

hoje mesmo, nas avenidas aqui perto de casa, teve a VII corrida de santo antonio, promovida pela unifieo em homenagem ao santo padoreiro de osasco (antecipadamente, creio eu que por conta das festividades copa/dia dos namorados=feriadão no dia do santo mesmo, 13/5).

eu não me inscrevi para essa prova porque participei da athenas domingo passado e uma coisa que aprendi é que não se pode querer participar de provas o tempo todo. só soube da sto antº esses dias, por um cartaz fixado no mural do prédio onde moro.


passei pelo percurso durante meu treino (antes de começar a prova) e, quando terminei, ainda tinha gente finalizando a corrida. o percurso não é difícil, embora começasse na descida e terminasse na subida (e acho que isso 2 vezes, porque o total eram 7,5km e uma volta dá pouco mais de 3km). olha aí à esquerda um registo parcial do meu treino, passando pelo percurso e, acima, foto de uma parte do percurso, tirada aqui de casa.

bom, mas daí que a inscrição custava só R$40,00, não deve ter tido camiseta, não sei se teve medalha, só vi número de peito e premiação em $. não é raro ver reclamações sobre valores de inscrições de corrida, etc etc etc e o que vi? pouquíssima gente participando. não sei se não houve muita divulgação ou o que chamou pouca atenção, mas fica uma incógnita. cadê o povo corredor  nessas horas? 






















6 de maio de 2014

10k até marte

mais de 20 dias depois...

então participei da minha primeira prova de 10k! a escolhida foi a night run - etapa marte, em são paulo, dia 12/04/2014.

claramente estava apreensiva: apesar de já ter feito treinos de 10, 11 e até 13k, era a primeira prova. fui sem pretensões de tempo, há toda uma ansiedade em completar essa distância em menos de 1 hora. nunca tinha feito provas à noite, meu maior medo era tropeçar e cair, hehehe.

enfim, depois dos treinos e da espera, lá estava eu! inicialmente fiquei espantada com a quantidade de gente no anhembi, muito mais do que na wrun, minha última corrida até então.

dá uma olhada num teco da largada dos 5k:

video
nem sei quantos minutos durou essa largada. só sei que quase na hora de largarmos os 10k ainda tinha gente passando a fita pra seguir os 5.

diante dessa visão, assim que liberaram fui lá ficar perto da fita, não queria ficar muito tempo andando até o pórtico, apesar de saber que isso iria acontecer, já que estava alocada no último pelotão (primeira prova da O2, eles jogam lá mesmo), mesmo que ainda faltasse quase 1 hora para largar.


daí. começou a chover. uma chuva de gotas grossas, geladas, inicialmente esparsas mas constantes. bateu um mini mau-humor pq né... esperei tanto pra estar ali, ia ser com chuva? não tinha o que fazer, fiquei pulandinho pra não morrer de frio. quando tudo começou, já estava com os pés alagados dentro dos tênis.


e fui, fui, fui. procurei não ficar olhando o garmin, só espiei em uma ou outra passagem de km. e chovia, chovia, chovia, havia poças, pequenas correntezas no asfalto, não dava pra saber direito onde tinha buraco. em alguns momentos a chuva era tão pesada, que mal dava pra manter os olhos bem abertos e enxergar o que estava fazendo. a vantagem? não peguei água nos pontos de hidratação, hahaha bebia da chuva mesmo (é, e daí?).


aos poucos fui pensando naquilo como um treinão em grupo (geralmente treino sozinha, às vezes faz falta companhia), mas sem perder a concentração. apesar de não estar voando, perceber que ia passando mais gente do que sendo ultrapassada foi legal! nos metros finais dei uma esticada - não muito. e fim!!!!!


foi menos doloroso do que imaginei e fui melhor do que esperava (tempo oficial: 56'49")! fui lá pegar a medalha, tirei umas fotos de praxe e vazei pra casa feito um pintinho molhado, só queria banho e quentinho. aliás, no banho descobri que tinha sofrido um corte por causa do atrito da cinta do frequencímetro com minha pele, coisa que nunca tinha acontecido.



daqui a 11 dias tem mais uma, a athenas. já estou inscrita para a night run etapa júpiter, em novembro. e estou procurando alguma prova pra fazer durante as férias em buenos aires e assuntando com a coach de fazer uma ou duas trails (super tenho vontade).

22 de março de 2014

de volta às ruas

domingo passado, 16 de março, foi minha primeira prova de rua de 2014.

em 2013 fiz, oficialmente, 2 provas de 5k e 2 de 6k (na verdade teve mais uma de 5k mas era mais pra diversão e o percurso não chegou a 5k). para 2014, a meta combinada com a MC, minha chefe, digo, treinadora, era participar das provas de 10k, pelo menos inicialmente.

então comecei com uma prova de 8k, a wrun. para nossa alegria, a MC ganhou a inscrição e aí as parceiras de galope, deh e karina, se animaram e também vieram de bauru (é meio tristinho correr sozinha por aqui).

não deixei de treinar nas férias, tive até uma planilha especial para o período e cumpri bonitinho, treinando em lugares diferentes por onde passava durante as viagens. um dia antes da wrun, a MC e eu fomos participar de um treinão na USP, o corra pela vida. foi bem bacana: além da temática, a arrecadação de doações para o projeto vida corrida, animação. MC e eu fomos de boa na lagoa, conversando, curtindo tudo aquilo ali.

no domingo, já com a deh, saltamos do carro no meio da marginal pinheiro para ir a pé, já que havia trânsito. mili pessoas, já estavam largando quando chegamos e ainda levamos 11 minutos para passar pelo pórtico. deu nem tempo de ficar nervosa com a prova na nova distância (porque em treino eu já havia feito além disso, até). a karina chegou mais cedo e largou bem lá na frente. a MC começou correndo comigo - e o começo é sempre difícil, pela muvuca - e, lá pelas tantas, nos distanciamos. fiquei meio na dúvida se a esperava ou não, poucas vezes tive a chance de correr com ela ao lado, mas imaginei que ela quisesse que eu fizesse a minha parte. estava me sentindo muito bem, só fui cansar lá pelo km 6, mas nada de tão penoso, acho que era mais pelo calorzão que fazia e o ziguezague de estar no meio de tanta gente.




fiz um tempo bacana, melhor do que esperava. no final esperei a MC e a deh, encontramos a karina e ficamos lá divando ao contrário, hehehe.

trupe do galope: deh, maria, karina, eu
também fomos conhecer a equipe pink cheeks, que estava com uma tenda e sempre foi muito atenciosa com a gente (além de presentear a MC com a inscrição da corrida, em seu aniversário). passamos a real algumas amizades virtuais que fizemos por causa da corrida, como a camila vieira e a thais chanoft.

enfim, relatinho de um fim-de-semana, muito bacana, fornecido pela corrida. claro que além de correr, fofocamos muito, saímos pra comer, morgamos...

e agora, continuando com os treinos para, finalmente, fazer a primeira prova de 10k em abril.


19 de março de 2014

Guia pra arrasar na corrida!

Vai correr? Vai acordar cedinho, vestir sua roupa preparadinha na véspera, pregar o número de peito e ganhar as ruas?

Ótimo, mas não vá sem antes ler nosso exclusivíssimo Guia de Etiqueta pra Evitar Mico e Treta em provas de rua!

Boa corrida e...divirta-se!

1- Ocupando seu espaço

A rua é pública. Você pagou pela inscrição (ou não, mas isso não vem ao caso agora). Você anda onde bem entender. Certíssimo, só não vale cortar caminho senão te desclassificam. Só que o que não é bacana mesmo é ocupar espaço de forma pouco generosa, pouco camarada e pouquíssimo consciente. O que quero dizer é: se você for caminhar, for trotar, POR FAVOR, faça isso do lado direito da rua. Sabe aquilo que é de bom tom fazer em escada rolante (senão inclusive passam por cima de você, e com razão), deixar a esquerda livre? Então, vale pras provas de ruas também. Vale também, aliás, pras pistas de corrida. Faça sua caminhada com fé - até porque não há qualquer item no regulamento proibindo caminhadas e...quem nunca, não é? - mas dá um passinho pro lado, sim? Deixa o pessoal mais rápido passar, não custa e todos ficam felizes (fazer ziguezague é chato PACA, em rua estreita, em rua larga, na subida, na descida, é cha-to e digo mais: perigoso, pra torcer um pé é "dois palito").

2- A corrida de rua como espaço de sociabilidade e o caso das muralhas intransponíveis

Correr é bom, correr com os amigos é melhor ainda. Caminhar também. Só que daí você leva toda a galera do escritório, aproveita pra apresentar pros amigos da academia e todos aproveitam pra fazer aquela corrente pra frente, aquele paredão solidário maroto, "tamo junto galeraaaa!". É lindo isso, nenhum homem é uma ilha, cultivar amizades é importante, mas às vezes aquela fileirona de gente ocupa metade da rua ou mais e quem está mais rápido sofre pra passar - daí é repeteco do tópico 1. O grupo é grande? Formem bloquinhos menores. Migrem pra direita se o lance for correr devagar. Esquerda livre, sim, por favor, grata.

Foto na corrida com os amigos, foi uma delícia! Vamos fazer mais vezes!!

3- Água: pegou, vazou!

Preciso explicar?

4- Tô correndo, mas e esse lixo aqui, onde ponho?

Ooolha a resposta malcriada, Joãozinho!
O lixo que você produzir na prova, se possível, guarde consigo. Cansei de correr e carregar enfiada no top ou no bolsinho a embalagem do gel ou da bananinha. "Ai mas vai melecar/sujar", uai, mas você já tá naquela situação babada de suor mesmo, aproveita o banho esperto depois e desmeleca (ou cê não vai tomar banho, vai fazer só aquele banho tcheco? Que horror, que horror. Bom, cada um, cada um). Mesma coisa a roupa, lavô tá nova. Copinho de água fica complicadinho carregar junto (eu levo garrafinha se não estiver em prova de rua, daí carrego até achar um lixo, ou levo comigo um squeeze), então pelo menos faça a fineza de jogar pro canto mais próximo - se estiver à direita dá uma jogadinha no meio-fio direito, se estiver à esquerda joga pro lado esquerdo e olha antes se não vai acertar um passante. Nem é difícil, o mais complicado é correr e você já está fazendo isso, não é? Já pensou escorregar pisando num copinho bem naquela descida que você tá fazendo igual busão lotado?

5- Engasguei, e agora? Cospe ou engole?

Engasgou? Usou a aguinha pra molhar a boca e vai cuspir? Sensacional, manda brasa (sou da seguinte opinião: quem tem muito nojinho não vai pra prova de rua suar até pingar, eventualmente tomar chuva, pisar em poça, em lama e coisas do tipo, fica em casa curtindo de boa), só não se esqueça de olhar antes se não tem gente vindo atrás.

6- Ai meleca!

Lágrimas, cuspe, ranho, tudo isso saiu de você, meu bem! Ou você carrega lencinho (fino porém pouco prático) ou carrega seu staff pra te estender toalhinhas (nem pode, na verdade), ou se vira com a mão ou a camiseta. Tem o banho depois, lembra?

Viemos só pra te ver! <3
7- Cada mergulho um flash!

Nossa experiência recente em uma prova badalada nos colocou em contato com muitas MUITAS pessoas que tavam curtindo muito a vibe toda, o momento, a presença dos amigos, a energia. Todo mundo quer mostrar tudo nas redes sociais, fotografar pra mostrar pra vó, pra documentar o feito, tá certo! Fotografar e filmar é mais do que registrar cenas, é perpetuar memória! Só certifique-se de que sua paradinha ou o seu recuo da bateria no meio da prova pra tirar aquela foto imperdível ou pra fazer aquela pose linda pro fotógrafo do evento não vão render uma trombada, uma topada, uma fechada em outra pessoa. Viu o fotógrafo e quer aparecer? Desacelera e cai pro lado, porque a pessoa que vem atrás não precisa necessariamente estar ligada no lance e pode não ter o reflexo tão em dia quanto o seu. Tomar fechada é ruim e ninguém gosta.

Nem me inscrevi mas adorei aquele isotônico!
8- Ora, pipocas!

Pipocas, assim como mamilos, são polêmicas. Argumentos contra e a favor estão por todo lugar. Mas minha posição pessoal é: YES pipoca, NO folga. Vai pipocar, pipoque, mas usufruir da estrutura que é paga pelos inscritos é sacanagem, é ser bicão. Então você não precisa necessariamente ir ocupar espaço lá na multidão na largada, pode largar mais atrás sem problema. Leve sua aguinha (correr com um cinto de hidratação ou um squeeze nunca matou ninguém) e deixe livres os pontos de hidratação pro pessoal que PAGOU. Chegou? Parabéns pela conquista, mas não precisa dar migué e ir beliscar fruta dos inscritos. Não ocupe espaço demais, não largue rastro de sujeira. Corra, aproveite o trânsito impedido, divirta-se, acompanhe os amigos, mas não faça o penetra - por mais que você ache que essas organizadoras de corrida são todas umas espoliadoras e o preço da inscrição está pela hora da mortefora lula fora dilma fora FMI yankees go home. Ser digno e limpinho não custa e te dá vantagem moral. Minha humilde opinião.